Em alusão ao dia 29 de janeiro (Dia da Visibilidade Trans), entrevistamos a castilhense Caroline Silva, formada em biologia, técnica em secretariado, estudante de Administração e Conselheira Tutelar Suplente de Júlio de Castilhos (onde conquistou 165 votos).

Me considero uma batalhadora, porque não foi fácil chegar até aqui”, afirma.

Caroline lembra do quão complicada foi a infância, onde precisava fazer coisas de menino, mesmo que contrariada. Segundo ela, a identidade de gênero é diferente da orientação sexual, ‘’a identidade de uma pessoa, algumas vezes é oposta ao seu sexo biológico. Percebemos que estamos no corpo errado, e se leva muito tempo para reparar isso, pois não se trata de escolha e sim de pertencimento’’, conclui.

Caroline Silva fez o processo de redesignação sexual no Hospital das Clínicas em Porto Alegre no ano de 2015, mas desde 2011 já havia conseguido na justiça a retificação de seu nome nos documentos. Segundo ela o pior preconceito foi quando cursou o normal (ensino médio), onde mesmo possuindo a fisionomia e as roupas femininas, um professor insistia em lhe chamar pelo masculino e dizia que ela não devia usar aquelas roupas. Caroline conta que ‘‘hoje o mais difícil é na hora de procurar emprego, quando você entrega um currículo, algumas pessoas te olham diferenciado e não te recebem bem’’.

O apoio da mãe foi fundamental em todo o seu processo de transição e ainda é até os dias atuais. ‘‘Minha mãe é uma leoa, quando alguém se atreve a mexer comigo, quando vou rebater, ela já saiu na minha frente. Esse apoio é o mais importante que podemos ter‘’, declara.

Caroline cultua a religião de matriz africana e afirma que a religião lhe ajudou muito com a autoaceitação e com a afirmação de sua identidade. Para ela, a sociedade tenta a todo instante colocar rótulos nas pessoas, tentando enquadrá-las em perfis estáticos, impedindo a sua liberdade e a sua felicidade.

Na conclusão da entrevista, Caroline da Silva deixou a seguinte mensagem:

O respeito é a base de tudo. Eu respeito para ser respeitada. Independente de orientação sexual, identidade de gênero, classe social ou cor da pele é preciso que nos respeitemos como seres humanos e não usemos Deus para justificar nossos preconceitos’’.